terça-feira, 15 de abril de 2014

Uruguai - 2014 - Parte V

A viagem de Posadas até Puerto Iguazú foi também, quase toda ela, embaixo de uma chuva intermitente. Foram aproximadamente 320 km de distância entre as duas cidades, pela Ruta 12, mas o pior foi que, com a chuva, os veículos que saíam das estradas vicinais não pavimentadas traziam muita lama (naquela região a coloração da terra é de um vermelho intenso) para a estrada principal. 

Chegamos ao destino já secos mas bem sujos. Mesmo assim, queríamos aproveitar o restante da tarde para conhecer o lado argentino das Cataratas do Iguaçu. Em função do tempo encoberto, as fotos não ficaram muito boas e, não sei se pela falta de sorte com o clima, tivemos uma certa decepção com esse lado das Cataratas, cujas referências geralmente indicavam como o sendo o mais bonito.


Vista da Garganta do Diabo, pelo lado argentino.



Após a visita ao parque argentino das cataratas, fomos então para Foz do Iguaçu, onde nos hospedamos no Hotel Bourbon, muito confortável, com uma boa infra estrutura de piscinas, spa, quadras esportivas, pista de cross e excelente restaurante. No dia seguinte, foi a vez de levar Jane para conhecer o Parque Nacional do Iguaçu, onde eu já havia estado há uns 30 anos atrás, na época da construção da Usina de Itaipu.

O dia estava lindo e gostamos bem mais da infra estrutura e organização do parque brasileiro, em relação ao argentino, além de também acharmos a visão das cataratas mais abrangente e encantadora.



Uma família de quatis aos nossos pés!











Nesse mesmo dia, à tarde, levei Jane ao aeroporto para pegar um avião em retorno à Brasília. Ela, já bem cansada e com saudades dos filhos e neta, não estava disposta e enfrentar a garupa da moto pelos quase 1.700 km que ainda restavam para chegar em casa.

Saí cedo, no dia seguinte, e o primeiro destino foi a cidade de Londrina (PR) para, em seguida, chegar a São José do Rio Preto (SP) e, finalmente, a Brasília.

Nesses últimos três dias de viagem, a maior dificuldade foi manter a concentração na estrada e driblar o cansaço acumulado. Choveu um pouco todos os dias, mas o calor predominou. O que mais me chamou a atenção foi o elevado número de caminhões que encontrei pelo caminho, em comparação com a Argentina e, principalmente, o Uruguai.

Outro fator de risco que detectei, especialmente no Paraná, foi um significativo número de máquinas agrícolas trafegando pela rodovia, o que é proibido pela lei brasileira (Código de Trânsito). Cheguei a fazer uma denúncia a um policial rodoviário que encontrei parado numa viatura, logo após ter sido espremido por um caminhão que desviara de duas enormes colheitadeiras, mas pela reação dele percebi que aquilo era corriqueiro e que nada seria feito.

Passando por Marília (SP), um fato curioso: Avistei um shopping center à beira da rodovia e resolvi entrar para comer alguma coisa e esticar as pernas. Era uma segunda-feira, pela manhã, e o estacionamento estava quase vazio. Parei numa vaga sombreada e, quando estava deixando o local, chegou uma moça e disse que não poderia parar ali, que teria que estacionar numa área destinada a motos. Argumentei que a moto era grande e pesada, que ficaria pouco tempo e que, afinal, tinha vaga sobrando no estacionamento. Ela não se convenceu e chamou um outro segurança, que veio com toda a sua 'autoridade' confirmando que teria que retirar a moto. Aí perdi a paciência de vez, disse que aquilo tudo era um absurdo, que não retiraria a moto dali, peguei as minhas coisas, deixei os dois falando sozinhos e fui entrando no shopping. Acionaram então o gerente do empreendimento que, por sorte, era uma pessoa mais sensata e, quando se deu conta do quão ridícula era a situação, foi à minha procura para pedir desculpas. Mais uma para a coleção 'preconceitos contra motociclistas'!

Graças a Deus, cheguei em casa inteiro e com a sensação de ter vencido outro grande desafio. A moto, mais uma vez, se comportou como uma guerreira, enfrentando todas as dificuldades sem dar qualquer problema. Só tive muito trabalho para limpar toda a sujeira acumulada, serviço que acredito só se completará após algumas outras lavagens!


Última parada antes de chegar em casa, no Posto JK, em Cristalina (GO).


Malas retiradas, para limpeza.


Brilhando novamente, após a primeira etapa da limpeza.
Ao encerrar o relato de mais essa viagem, não posso deixar de agradecer muito a confiança e coragem da minha companheira que, apesar dos sufocos que passamos juntos, suportou bem os longos quilômetros na garupa e também agradecer a todos os amigos que nos acompanharam à distância, sempre torcendo e dando muita força.

sábado, 12 de abril de 2014

Uruguai 2014 - Parte IV

Após conhecermos Colonia del Sacramento, rumamos para Paysandú, que seria apenas uma parada para o destino seguinte, Termas del Arapey.

Foi um dia tranquilo de viagem, com o céu bem nublado mas sem chuvas.

Passamos pela cidade de Mercedes, cuja 'rambla' principal, que margeia o Rio Negro, estava alagada, com o trânsito interrompido em vários trechos, em consequência das fortes chuvas que castigavam  a região.


Alagamento impedia o tráfego de veículos na avenida que margeia o Rio Negro, em Mercedes.




Chegamos a Paysandú à tarde, passeamos um pouco pela cidade e fomos descansar no Hotel Boutique Casa Grande, localizado na praça principal.

No início da noite começou uma intensa movimentação na rua em frente ao hotel e, ao indagar à recepção o que estava acontecendo, veio a surpresa: carnaval em Paysandú!

Saímos do hotel e fomos nos acomodar em uma mesa de um restaurante próximo, à beira da rua, para tomar uma cerveja e apreciar a festa. Foi muito engraçado e pitoresco, pois apesar de tentarem tocar um samba, o carnaval de lá mais parece uma parada cívica, com muitas bandeiras e disputas entre pequenas agremiações de jovens e crianças.

As fotos não ficaram boas, mas segue um pequeno vídeo para ilustrar o que estou tentando descrever.




No dia seguinte, saímos em direção a Termas del Arapey, que havia sido uma indicação do amigo Beto Saraiva. Foi mais um dia tranquilo de viagem, por estradas de pouco tráfego, com belas paisagens e sem chuva.

Em Termas, já sabíamos que a melhor opção seria ficar num resort 'all included', já que a cidade é muito pequena (praticamente uma vila) e não conta com uma boa estrutura de restaurantes.

Então, fizemos reserva no Arapey Oasis Termal e constatamos que, de fato, foi a melhor opção, pois o hotel possui uma ótima infra estrutura, com piscinas térmicas naturais, que certamente são melhor aproveitadas no inverno.


Descanso do guerreiro.



Vista do quarto do hotel.

Termas del Arapey é bem isolada, praticamente um vilarejo, com poucos moradores que trabalham nos três hotéis existentes (um quarto está em fase final de construção). Ficamos sabendo que antigamente era uma colônia de férias de militares que, na época, governavam o país. No centrinho da cidade, além de um restrito comércio onde só se acha o básico, existem algumas piscinas e termas públicas.

Por não termos, antecipadamente, noção exata dessa dimensão, chegamos lá com pouca gasolina, contando de fazer o abastecimento antes de deixarmos a cidade, só que não existe 'gasolinera' em Termas! O posto mais próximo, no sentido Uruguaiana que seria nosso próximo destino, fica a quase 100 km de distância e era exatamente essa a autonomia indicada pelo computador de bordo da moto!

Numa das caminhadas pelas ruas de Termas, acabei encontrando uma pequena oficina mecânica que vende gasolina em galões, mas achei melhor confiar no computador da moto do que correr o risco de colocar um combustível de qualidade duvidosa.

Saímos um pouco antes do almoço e após rodarmos uns 50 km começou uma chuva leve. A autonomia da moto estava reduzindo rapidamente mas, felizmente, conseguimos chegar ao tal posto, já perto da fronteira com o Brasil. A chuva, embora fraca, foi persistente e só parou quando estávamos chegando a Uruguaiana.

Não tivemos muito tempo para conhecer Uruguaiana, só caminhamos um pouco pelo centro, mas foi suficiente para ter uma boa impressão da cidade. À noite, saboreamos um delicioso rodízio de churrasco de cordeiro no restaurante que fica na praça principal, cujo dono, além de conhecido 'chef' de cozinha local, é também motociclista.

O dia seguinte acabou sendo o mais tenso e desgastante de toda a viagem. Amanheceu chovendo forte em Uruguaiana, mas tínhamos quase 400 km pela frente, rumo a Posadas, na Argentina.

Após o café da manhã, a chuva ficou menos intensa. Então, colocamos as capas e partimos. Entramos na Argentina por Paso de los Libres, onde fizemos o controle de imigração e trocamos alguns dólares por pesos, para as despesas na estrada.

Ao deixarmos a fronteira, a chuva aumentou de intensidade e, passados alguns quilômetros, o GPS indicou que teríamos que deixar a rodovia de mão única para pegar a Rota 14, uma estrada bem mais estreita, de mão dupla e sem acostamento. Foi então que começou a parte mais difícil da viagem. A chuva, naquela altura, transformara-se em tempestade, a visibilidade quase nenhuma, as rajadas de vento muito fortes e constantes e ainda, para completar, o tráfego de caminhões era intenso. Nessas condições, a resistência física e psicológica esgota-se rapidamente, fazendo com que cada minuto pareça uma eternidade. Para piorar, não havia sequer onde parar para um descanso. Por mais que procurássemos um local seguro, só o que raramente avistávamos eram alguns acessos para estradas vicinais, de terra, com muita lama e sem qualquer abrigo.

Essa situação crítica perdurou por quase 200 km até que, quando eu já estava perdendo as forças, apareceu o primeiro posto de gasolina, na altura da cidade de Santo Tomé. Mesmo com o acesso ao posto tomado por muita lama, resolvi arriscar e consegui entrar. Ficamos parados ali por mais de meia hora, para nos recuperar do sufoco que havíamos passado.

Chegamos em Posadas no meio da tarde e ainda tivemos muita dificuldade para localizar o hotel, em função de termos entrado por um novo acesso, ainda não mapeado pelo GPS, que leva até a ponte onde se pode atravessar para Encarnación, no Paraguai. O Hotel Maitei Posadas fica em outra direção, um pouco afastado do centro da cidade. Quando chegamos ao hotel, eu estava muito cansado e com dores musculares. Tive que tomar um relaxante e acabamos não saindo para conhecer a cidade.

No dia seguinte percorreríamos o último trecho na Argentina, saindo de Posadas até Puerto Iguazú e, em seguida, pararíamos por dois dias em Foz do Iguaçu.

sábado, 5 de abril de 2014

Uruguai - 2014 - Parte III

Após quatro dias muito agradáveis em Punta del Este, fomos para a capital Montevidéu. Saímos de Punta pela manhã, após uma chuva leve, e pegamos muito vento na estrada, que é toda duplicada, de mão única, até Montevidéu. Ao chegarmos à capital uruguaia o calor e o trânsito eram intensos, mas no início da noite o tempo mudou drasticamente e caiu uma forte chuva de verão.

No dia seguinte, a chuva não deu trégua e tivemos que pegar um táxi para conhecer minimamente a cidade. Fomos até a Praça Independência, no centro, onde ficam o Teatro Solis e o Palácio Salvo.


Portal da cidade, na Praça Independência.

Palácio Salvo ao fundo que, durante muitos anos, foi a torre mais alta da América do Sul.

Monumental mausoléu em homenagem a José Artigas, herói nacional.


Mais fotos com o Palácio Salvo ao fundo.


Almoçamos no Mercado Agrícola que, a exemplo dos mercados municipais de São Paulo e de outras cidades brasileiras, reúne vários bares e restaurantes, onde se pode saborear comidas típicas, bons vinhos e cervejas. 

O dia seguinte amanheceu com chuva torrencial. Ficamos fazendo hora no hotel, mas precisávamos pegar estrada até Colonia del Sacramento. Chegamos a almoçar no restaurante do hotel, à espera de uma melhora nas condições climáticas, o que não aconteceu. Então, tivemos que sair por volta das 15 horas, embaixo de chuva forte mesmo.

Passamos por várias áreas alagadas à beira da rodovia, que até pareciam o pantanal mato grossense, sendo que em algumas delas a água havia invadido a pista, mas felizmente conseguimos atravessa-las com a moto sem problemas. Chegamos ao destino no final da tarde, já sem chuva e ainda com sol firme.

Colonia del Sacramento é uma cidade histórica fundada em 1680, por uma expedição originada no Brasil chefiada pelo então Governador da Capitania Real do Rio de Janeiro, e suas construções remetem ao período colonial português.



Um restaurante turístico de Colonia del Sacramento.

Uma das várias marinas locais.


O farol que sinalizava para as embarcações.

Portão de Armas.

Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento.

O interior de um dos charmosos restaurantes da cidade.

O por do sol no Rio da Prata.

A moto teve que 'dormir' em frente à pousada em que nos hospedamos.

Vista do interior da pousada.
Há uma enorme variedade de veículos antigos, bem preservados, espalhados pelas ruas de Colonia, que acrescentam ainda mais charme à cidade.


Essa moto me remeteu à adolescência, pois é igual a que um amigo usava na década de 70.

Casal viajando numa Royal Enfield (nota-se a bagagem improvisada no colo de cada um).






Um jeito criativo de anunciar a cerveja gelada!
Curtimos bastante Colonia del Sacramento, e recomendamos a todos uma visita, mas vale uma dica: Ficar em Colonia ao menos por uma ou duas noites, pois a cidade é bem melhor depois que a maioria dos turistas, que vão até lá apenas passar o dia, retornam a Buenos Aires atravessando o Rio da Prata pelo buquebus.