Foi um dia tranquilo de viagem, com o céu bem nublado mas sem chuvas.
Passamos pela cidade de Mercedes, cuja 'rambla' principal, que margeia o Rio Negro, estava alagada, com o trânsito interrompido em vários trechos, em consequência das fortes chuvas que castigavam a região.
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| Alagamento impedia o tráfego de veículos na avenida que margeia o Rio Negro, em Mercedes. |
No início da noite começou uma intensa movimentação na rua em frente ao hotel e, ao indagar à recepção o que estava acontecendo, veio a surpresa: carnaval em Paysandú!
Saímos do hotel e fomos nos acomodar em uma mesa de um restaurante próximo, à beira da rua, para tomar uma cerveja e apreciar a festa. Foi muito engraçado e pitoresco, pois apesar de tentarem tocar um samba, o carnaval de lá mais parece uma parada cívica, com muitas bandeiras e disputas entre pequenas agremiações de jovens e crianças.
As fotos não ficaram boas, mas segue um pequeno vídeo para ilustrar o que estou tentando descrever.
No dia seguinte, saímos em direção a Termas del Arapey, que havia sido uma indicação do amigo Beto Saraiva. Foi mais um dia tranquilo de viagem, por estradas de pouco tráfego, com belas paisagens e sem chuva.
Em Termas, já sabíamos que a melhor opção seria ficar num resort 'all included', já que a cidade é muito pequena (praticamente uma vila) e não conta com uma boa estrutura de restaurantes.
Então, fizemos reserva no Arapey Oasis Termal e constatamos que, de fato, foi a melhor opção, pois o hotel possui uma ótima infra estrutura, com piscinas térmicas naturais, que certamente são melhor aproveitadas no inverno.
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| Descanso do guerreiro. |
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| Vista do quarto do hotel. |
Por não termos, antecipadamente, noção exata dessa dimensão, chegamos lá com pouca gasolina, contando de fazer o abastecimento antes de deixarmos a cidade, só que não existe 'gasolinera' em Termas! O posto mais próximo, no sentido Uruguaiana que seria nosso próximo destino, fica a quase 100 km de distância e era exatamente essa a autonomia indicada pelo computador de bordo da moto!
Numa das caminhadas pelas ruas de Termas, acabei encontrando uma pequena oficina mecânica que vende gasolina em galões, mas achei melhor confiar no computador da moto do que correr o risco de colocar um combustível de qualidade duvidosa.
Saímos um pouco antes do almoço e após rodarmos uns 50 km começou uma chuva leve. A autonomia da moto estava reduzindo rapidamente mas, felizmente, conseguimos chegar ao tal posto, já perto da fronteira com o Brasil. A chuva, embora fraca, foi persistente e só parou quando estávamos chegando a Uruguaiana.
Não tivemos muito tempo para conhecer Uruguaiana, só caminhamos um pouco pelo centro, mas foi suficiente para ter uma boa impressão da cidade. À noite, saboreamos um delicioso rodízio de churrasco de cordeiro no restaurante que fica na praça principal, cujo dono, além de conhecido 'chef' de cozinha local, é também motociclista.
O dia seguinte acabou sendo o mais tenso e desgastante de toda a viagem. Amanheceu chovendo forte em Uruguaiana, mas tínhamos quase 400 km pela frente, rumo a Posadas, na Argentina.
Após o café da manhã, a chuva ficou menos intensa. Então, colocamos as capas e partimos. Entramos na Argentina por Paso de los Libres, onde fizemos o controle de imigração e trocamos alguns dólares por pesos, para as despesas na estrada.
Ao deixarmos a fronteira, a chuva aumentou de intensidade e, passados alguns quilômetros, o GPS indicou que teríamos que deixar a rodovia de mão única para pegar a Rota 14, uma estrada bem mais estreita, de mão dupla e sem acostamento. Foi então que começou a parte mais difícil da viagem. A chuva, naquela altura, transformara-se em tempestade, a visibilidade quase nenhuma, as rajadas de vento muito fortes e constantes e ainda, para completar, o tráfego de caminhões era intenso. Nessas condições, a resistência física e psicológica esgota-se rapidamente, fazendo com que cada minuto pareça uma eternidade. Para piorar, não havia sequer onde parar para um descanso. Por mais que procurássemos um local seguro, só o que raramente avistávamos eram alguns acessos para estradas vicinais, de terra, com muita lama e sem qualquer abrigo.
Essa situação crítica perdurou por quase 200 km até que, quando eu já estava perdendo as forças, apareceu o primeiro posto de gasolina, na altura da cidade de Santo Tomé. Mesmo com o acesso ao posto tomado por muita lama, resolvi arriscar e consegui entrar. Ficamos parados ali por mais de meia hora, para nos recuperar do sufoco que havíamos passado.
Chegamos em Posadas no meio da tarde e ainda tivemos muita dificuldade para localizar o hotel, em função de termos entrado por um novo acesso, ainda não mapeado pelo GPS, que leva até a ponte onde se pode atravessar para Encarnación, no Paraguai. O Hotel Maitei Posadas fica em outra direção, um pouco afastado do centro da cidade. Quando chegamos ao hotel, eu estava muito cansado e com dores musculares. Tive que tomar um relaxante e acabamos não saindo para conhecer a cidade.
No dia seguinte percorreríamos o último trecho na Argentina, saindo de Posadas até Puerto Iguazú e, em seguida, pararíamos por dois dias em Foz do Iguaçu.







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