sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Experiência das Viagens - Parte I

Se conselho fosse bom não se dava! 

Por isso, ao escrever este post, achei que ao invés de dar dicas, melhor seria descrever a nossa experiência, que poderá ou não ser aproveitada em suas viagens, desde que relativizada, pois nem sempre o que é bom para um é também para outro, já que cada um tem gosto, orçamento, anseios e medos próprios.

Tentarei dividir este post em vários tópicos, que serão atualizados ao longo do tempo. Quem tiver alguma dúvida sobre qualquer deles é só enviá-la, via comentário, para que eu possa dar mais detalhes e, se for o caso, atualizar o tópico pertinente.

Vamos então aos tópicos, em ordem alfabética:

Bagagem

Acho que em qualquer viagem, não só de moto, a bagagem deve ser a mínima possível. De moto então nem se fala, não tem jeito mesmo: Só o essencial.

Costumamos dividir a bagagem da seguinte forma: Uma mala lateral para cada um (piloto e garupa) com as respectivas roupas e a mala traseira para ferramentas, capas, sapatos (um par de tênis para cada) e uma necessaire, daquelas que se pendura no banheiro, com material de higiene comum aos dois.

As roupas: uma única calça (se rasgar, manchar ou sujar muito, e não der para consertar ou lavar, compra-se outra, o que também se aplica a qualquer peça do vestuário), bermuda, sunga de banho, conjunto (camisa, calça e balaclava) segunda pele, três ou quatro camisetas, três ou quatro meias e cuecas, que se lava no banho. As camisetas também lavamos sempre que há tempo e condições para secarem. Usamos janelas, ar condicionado, abajures, aquecedores, lareiras (em lugares frios) para a secagem das roupas que lavamos. Nas malas laterais cada um leva também uma sandália de borracha.

Levo também um colete para vestir por baixo da jaqueta, em dias mais frios.

A bagagem é sempre acondicionada nas malas internas (inner bags), o que evita ter que retirar as cases da moto à cada parada.

Quando alugamos a moto no exterior, já saímos daqui com as malas internas adequadas e a bagagem acondicionada de forma a caber nas cases da moto, sem qualquer dificuldade ou necessidade de ajustes. Levamos os capacetes, casacos, botas e luvas numa mala que fica guardada no hotel ou na garagem das motos.

Em relação ao equipamento para a pilotagem tenho me sentido confortável da seguinte maneira:

Capacete: Dou preferência ao articulado ou escamoteável, pois além de facilitar a comunicação com as pessoas nas cidades e nos postos de gasolina, pode ser aberto para ventilação nos momentos em que a moto está parada. Atualmente uso um Schuberth C3.

Jaqueta: Como temos preferência por viajar durante as estações mais quentes, uso uma jaqueta de verão com as proteções de ombro e cotovelos. Nos dias frios, ou pela manhã cedo, coloco um colete por baixo da jaqueta, além da camisa e da segunda pele. Se esfriar muito, coloco a parte superior da capa de chuva por cima de tudo. À medida em que vai esquentando retiro as peças até sobrarem apenas a camiseta e a jaqueta. Assim tenho suportado os dias mais quentes e também já enfrentei frio de até cinco graus celcius sem dificuldade.

Na Rota 66, no entanto, devido a um calor de até 45 graus celcius, tivemos que, pela primeira vez, abrir mão da jaqueta durante o dia. Lá a segurança nas estradas é muito maior do que aqui, então o jeito que encontramos para suportar o calor foi andar com as camisas polo branca, de manga comprida. No deserto o calor não alivia mesmo com a moto em movimento, pois o 'bafo' é tão quente que parece que se está andando grudado num motor de ônibus. 

Calça: Calça própria para motociclista, com proteção nos joelhos e quadril. Uso uma da marca Alpine Star, a qual acho bastante confortável.

Botas: Não consigo usar botas de cano longo, em função do calor. Uso umas de trabalho, impermeáveis, fabricadas pela Timberland.

Luvas: Uso luvas de pelica com proteções, próprias para moto. As luvas de meio dedo, por algumas razões, não são recomendáveis: Em temperaturas mais frias, além do desconforto, pode ocasionar artrite nos dedos; há o risco de um inseto ou pedra bater e ferir o dedo; e, o pior, numa queda, por mais boba que seja, normalmente a mão é sempre utilizada, instintivamente, para amortecimento do corpo e, se não tiver devidamente protegida, pode acarretar em graves lesões. Também carrego um par de luvas impermeáveis, mais grossas, para chuva e frio.

Temos adotado uma prática que tem facilitado muito a questão da bagagem: Quando há uma variação climática acentuada e nos vemos na condição de ter que comprar roupas adequadas, vamos até os correios e mandamos as roupas/equipamentos que não serão mais utilizadas para nossa casa ou, se tivermos fora do País, para a locadora da moto ou para o último hotel em que iremos nos hospedar (mediante contato prévio por email, avisando que estamos enviando o pacote).



Ferramentas

Da mesma forma, também costumo levar o mínimo possível, para uma pequena manutenção. Um jogo de chaves adequado à moto (no caso da BMW, chaves de torque), reparo de pneu tipo 'macarrão' com respectivas chaves, um tubo de tyre repair para encher o pneu numa emergência, um canivete multi-uso, fitas adesivas (isolante e silver tape) e um punhado de 'enforca gato'.

Nunca esquecer o manual da moto. Não levo lanterna, se precisar uso a do smartphone. Da mesma forma, também não levo câmera fotográfica.

Nada de óleo ou pneu reserva. Faço a troca do óleo antes de sair e, se a viagem for muito longa (+ de 10.000km), programo onde trocar novamente. No caso dos pneus, já consulto onde há revendedores da marca utilizada. Também é bom saber o endereço das oficinas autorizadas, ao longo do trajeto, caso precise de uma manutenção/conserto mais complexo.

Nunca tive que carregar combustível reserva. A autonomia da moto, em condições normais, é de 400km. Sempre procuro, em estradas desconhecidas, não deixar baixar do meio tanque.



Navegação

Um GPS com os mapas atualizados das estradas e cidades a serem visitadas é fundamental. Uso um Garmin Zumo 350L. 

Nenhum sistema é completamente confiável, mas são indispensáveis. Os mapas ainda tem suas deficiências, principalmente no Brasil e na América do Sul. Na Europa e nos EUA o índice de erros é bem menor e normalmente só ocorre quando há algum conserto, que implique em desvio do tráfego, ou modificação recente da via. É recomendável adquirir um mapa em papel da região, que pode ser comprado em postos de gasolina, para checagem quando ocorre falha do GPS.

O GPS pode ser substituído pelo smartphone. Em nossa viagem na Rota 66, o amigo Salomão, colocou no seu smartphone um chip de companhia telefônica americana e usou o Google Maps o tempo todo, sem qualquer problema. Se não utilizar o chip local o custo do tráfego de dados ficará muito alto.

Coloquei um suporte para o GPS (vide foto abaixo) numa posição acima do painel da moto, de forma tal que não preciso deslocar a cabeça para visualizar o instrumento. Está conectado diretamente à bateria, mas há também uma tomada 12v onde pode ser ligado/carregado outro equipamento.



Num próximo tópico deste mesmo post, passarei informações sobre o planejamento das viagens, a escolha dos hotéis e a preparação da moto. Aguardem. 



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